quarta-feira, 24 de março de 2010

E o Processo de Cura é Mesmo Irreversível...


Nesta quarta-feira, enquanto andava pra lá e pra cá atrás de ingressos para ver ZZ Top, com o rádio do carro sintonizado na antena 1, e aproveitava para abrir minha caixa de pandora para minha fiel companheira de viajem, no silêncio de meus pensamentos conflitantes me questionava se o processo de cura é mesmo irreversível!?

Quando duas pessoas entendem que chegou o fim de uma relação de desgastes, brigas, e falta de respeito mútuo, por mais que alguém insista em continuar, por mais que alguém ache que há amor para recomeçar, e confesso, eu sou sempre essa pessoa chata, as vezes é necessário dar um passo atrás, se distanciar da situação e entender que o processo de cura é irreversível!!!

Todo convívio com pouco diálogo, e muita influência do meio, acaba gerando um desgaste emocional tamanho que o respeito pelo próximo desaparece, ficando apenas magoas, dores e feridas mau curadas que costumam voltar a sangrar com freqüência! Toda essa dor, sofrimento e medo tende a aumentar quanto mais alguém insiste em manter o convívio afetivo, sobre a promessa de uma mudança interior que, supostamente, levaria a um novo tipo de relacionamento, e o outro insiste em se apegar ao passado como justificativa para uma nova falha no futuro!

E como é difícil esquecer o que passou, guardar em um canto remoto e de difícil acesso da memória o que não deu certo e abrir uma nova página para um mundo novo!

Hoje ao rodar pelas ruas de um porto já não muito alegre percebi que meus processos de cura já são irreversíveis, e minhas feridas querem e precisam fechar! Para que? Para um renascimento de um novo eu! Mas o que isso quer dizer afinal?

A temática que mais me fascina e que me leva a questionamentos intensos é: o amor! Na minha cabeça sagitariana e desmiolada nada mais sublime a ser vivido neste mundo do que o amor! Mas e quando ele acaba para uma das pessoas? Como fica a outra? É tão difícil entender e respeitar aquele que deixou de amar! E de outro lado é tão doloroso para quem é deixado de lado como um brinquedo velho que não tem mais serventia!

São exatos dois lados da mesma moeda! Opostos de uma mesma situação! Sentimentos completamente inversos: de um lado a libertação de outro o abandono! E como é difícil racionalizar tudo isso! Para quem fica, ver de fora uma nova vida de quem foi, agora aparentemente muito mais divertida! Para quem vai, novos ares, novos mares, novas praças e lugares que tem sabor de liberdade e já não interessa tanto assim aquele mundo deixado no passado!

Do ponto de vista de quem fica, durante minha conversa e incursão xereta aos sentimentos alheios, me deparei com alguns impasses: Superar é igual a se fechar para o mundo? Ou então, superar é igual a ter mais cautela para com os envolvimentos afetivos futuros? Essa dor causada pelo rompimento nos torna frios e cautelosos, ou nos faz querer achar um amor que liberte das amarras de um passado de planos frustrados?

E do ponto de vista de quem vai: Fica a dúvida, realmente o mundo é tão melhor assim sem aquele ou aquela que ficou pelo caminho? A grama era de fato mais verde ou a ilusão de ótica era tamanha que lhe fez parar de ver o que realmente importava e o que de fato você tinha de real? Valeu a pena a tomada de novos ares?

A bem da verdade é que a vida segue para todos nós, e no fundo sabemos que estamos sozinhos em um mundo rodeado por pessoas! O quanto abrimos a porta para elas entrarem e saírem de nossos universos é o que define quanto vamos nos machucar no final da caminhada!? Fica a pergunta: quanto vale a pena sofrer por alguém? Ou melhor, quanto realmente você deixa alguém entrar no seu universo?

Pessoalmente não cheguei à conclusão nem uma, e nem era essa a minha intenção, mas o fato de conseguir olhar todos os lados me fez pensar que talvez o processo de cura seja realmente irreversível e inevitável, e aquilo tudo que um dia existiu pode simplesmente passar a não existir mais! Ser deixado de lado! Esquecido, quem sabe!?

Se a grama era mais verde somente o tempo dirá! Se aquele ser era tudo, somente o tempo dirá! Pode que o tempo mostre que quem foi deixado para trás é que realmente foi liberto, e aquele que achou se libertar continua preso ao medo de amar e a convicções que nunca foram suas! Pode, simplesmente, que o mundo trate de mostrar que tudo realmente estava errado, e que o caminho nunca foi traçado para ser seguido lado a lado, ou então, que esse processo de cura irreversível seja parte de um grande plano de autoconhecimento e afirmação para que ambos voltem, dessa vez para uma caminhada definitiva rumo a um amadurecimento afetivo, que acabe mostrando que o medo fortalece apenas aqueles que nos querem parados no mesmo lugar, acreditando que a felicidade não é deste lugar!

Nessa minha busca por tentar entender as relações afetivas ao invés de encontrar soluções achei ainda mais perguntas! Por outro lado acabei tendo a certeza de que o processo de cura é irreversível! E para onde ele nos leva? Somente o tempo dirá! Mantenha o foco! \o/

3 comentários:

  1. ah;... as relações humanas. se relacionar com outras pessoas conduz sempre e inevitavelmente a qualquer tipo de dor e frustração. eu creio que a plenitude vem de si e está em si. entrar em contato com as pessoas só anula nossas vontades, faz a gente esquecer o que quer realmente e dedicar todo pensamento ao exterior. captamos as mensagens exteriores e engolimos, ao invés de agir de dentro pra fora... saca? as pessoas nunca se preocupam em expressar sua vontade sem antes medir se as pessoas vao gostar. isso acontece em toda relação. amor amizade familia trabalho. conviver com pessoas, é se anular. sempre.

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  2. já dizia o Grande Vinicius "que seja eterno enquanto dure". As pessoas têm que parar de achar que uma relação vai durar a vida inteira, e que, caso não dure tudo isso, é porque "não deu certo". Claaaaaaaro que deu certo, deu certo por 1 ou 2 anos!
    a cura é irreversível mesmo...

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  3. as pessoas tem q parar de achar que as pessoas tem que parar de achar. dik

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