
Nesta quarta-feira, enquanto andava pra lá e pra cá atrás de ingressos para ver ZZ Top, com o rádio do carro sintonizado na antena 1, e aproveitava para abrir minha caixa de pandora para minha fiel companheira de viajem, no silêncio de meus pensamentos conflitantes me questionava se o processo de cura é mesmo irreversível!?
Quando duas pessoas entendem que chegou o fim de uma relação de desgastes, brigas, e falta de respeito mútuo, por mais que alguém insista em continuar, por mais que alguém ache que há amor para recomeçar, e confesso, eu sou sempre essa pessoa chata, as vezes é necessário dar um passo atrás, se distanciar da situação e entender que o processo de cura é irreversível!!!
Todo convívio com pouco diálogo, e muita influência do meio, acaba gerando um desgaste emocional tamanho que o respeito pelo próximo desaparece, ficando apenas magoas, dores e feridas mau curadas que costumam voltar a sangrar com freqüência! Toda essa dor, sofrimento e medo tende a aumentar quanto mais alguém insiste em manter o convívio afetivo, sobre a promessa de uma mudança interior que, supostamente, levaria a um novo tipo de relacionamento, e o outro insiste em se apegar ao passado como justificativa para uma nova falha no futuro!
E como é difícil esquecer o que passou, guardar em um canto remoto e de difícil acesso da memória o que não deu certo e abrir uma nova página para um mundo novo!
Hoje ao rodar pelas ruas de um porto já não muito alegre percebi que meus processos de cura já são irreversíveis, e minhas feridas querem e precisam fechar! Para que? Para um renascimento de um novo eu! Mas o que isso quer dizer afinal?
A temática que mais me fascina e que me leva a questionamentos intensos é: o amor! Na minha cabeça sagitariana e desmiolada nada mais sublime a ser vivido neste mundo do que o amor! Mas e quando ele acaba para uma das pessoas? Como fica a outra? É tão difícil entender e respeitar aquele que deixou de amar! E de outro lado é tão doloroso para quem é deixado de lado como um brinquedo velho que não tem mais serventia!
São exatos dois lados da mesma moeda! Opostos de uma mesma situação! Sentimentos completamente inversos: de um lado a libertação de outro o abandono! E como é difícil racionalizar tudo isso! Para quem fica, ver de fora uma nova vida de quem foi, agora aparentemente muito mais divertida! Para quem vai, novos ares, novos mares, novas praças e lugares que tem sabor de liberdade e já não interessa tanto assim aquele mundo deixado no passado!
Do ponto de vista de quem fica, durante minha conversa e incursão xereta aos sentimentos alheios, me deparei com alguns impasses: Superar é igual a se fechar para o mundo? Ou então, superar é igual a ter mais cautela para com os envolvimentos afetivos futuros? Essa dor causada pelo rompimento nos torna frios e cautelosos, ou nos faz querer achar um amor que liberte das amarras de um passado de planos frustrados?
E do ponto de vista de quem vai: Fica a dúvida, realmente o mundo é tão melhor assim sem aquele ou aquela que ficou pelo caminho? A grama era de fato mais verde ou a ilusão de ótica era tamanha que lhe fez parar de ver o que realmente importava e o que de fato você tinha de real? Valeu a pena a tomada de novos ares?
A bem da verdade é que a vida segue para todos nós, e no fundo sabemos que estamos sozinhos em um mundo rodeado por pessoas! O quanto abrimos a porta para elas entrarem e saírem de nossos universos é o que define quanto vamos nos machucar no final da caminhada!? Fica a pergunta: quanto vale a pena sofrer por alguém? Ou melhor, quanto realmente você deixa alguém entrar no seu universo?
Pessoalmente não cheguei à conclusão nem uma, e nem era essa a minha intenção, mas o fato de conseguir olhar todos os lados me fez pensar que talvez o processo de cura seja realmente irreversível e inevitável, e aquilo tudo que um dia existiu pode simplesmente passar a não existir mais! Ser deixado de lado! Esquecido, quem sabe!?
Se a grama era mais verde somente o tempo dirá! Se aquele ser era tudo, somente o tempo dirá! Pode que o tempo mostre que quem foi deixado para trás é que realmente foi liberto, e aquele que achou se libertar continua preso ao medo de amar e a convicções que nunca foram suas! Pode, simplesmente, que o mundo trate de mostrar que tudo realmente estava errado, e que o caminho nunca foi traçado para ser seguido lado a lado, ou então, que esse processo de cura irreversível seja parte de um grande plano de autoconhecimento e afirmação para que ambos voltem, dessa vez para uma caminhada definitiva rumo a um amadurecimento afetivo, que acabe mostrando que o medo fortalece apenas aqueles que nos querem parados no mesmo lugar, acreditando que a felicidade não é deste lugar!
Nessa minha busca por tentar entender as relações afetivas ao invés de encontrar soluções achei ainda mais perguntas! Por outro lado acabei tendo a certeza de que o processo de cura é irreversível! E para onde ele nos leva? Somente o tempo dirá! Mantenha o foco! \o/